Nas margens do cuidado médico-higienista
medicina Oitocentista e a precarização das vidas ingênuas
DOI:
https://doi.org/10.5335/srph.v25i1.18286Palavras-chave:
Crianças ingênuas, Discursos médico-higienistas, Mortalidade infantilResumo
A partir da análise de teses médicas produzidas na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro na década de 1880, este artigo investiga como crianças ingênuas emergem nos discursos médico-higienistas dedicados à mortalidade infantil, à maternidade, às práticas de aleitamento e aos cuidados na primeira infância. Por intermédio da análise do discurso e da análise do silêncio, o trabalho examina os modos pelos quais essas presenças fragmentadas produzem significados históricos. Argumenta-se que a medicina Oitocentista, além de produzir um modelo normativo de maternidade, formulou também práticas desiguais de cuidado infantil, nas quais determinadas vidas foram percebidas como dignas de cuidado e proteção, ao passo que outras permaneceram nas margens de um discurso que racializava o cuidado.
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