Os limites da ciência no interior do sertão
medicina higienista, cura e legitimidade no Piauí do final do século XIX
DOI:
https://doi.org/10.5335/srph.v25i1.18358Palavras-chave:
História da saúde, Medicina higienista, Saberes e práticas de curarResumo
A proposta deste artigo é analisar o processo de ascensão da medicina higienista no Piauí do final do século XIX, de forma a compreender os limites de sua implementação em uma província marcada pela precariedade da assistência pública à saúde. Embora as medidas higienistas integrassem o projeto sanitário do Estado, sua efetivação no interior ocorria de maneira limitada, favorecendo a permanência dos saberes e práticas de curar exercidos por agentes não diplomados. Nesse contexto, analisa-se a construção dos embates políticos e culturais entre o saber institucionalizado e as práticas de cura, de forma a evidenciar as tentativas da medicina acadêmica de marginalizar esses sujeitos em meio às limitações do serviço público de saúde piauiense oitocentista. Assim, busca-se demonstrar como a consolidação da medicina científica ocorreu de forma desigual no sertão, sendo marcada por resistências, disputas de legitimidade e pelas próprias limitações estruturais da província.
Downloads
Referências
ARAÚJO, Johny Santana de. O Piauí no processo de independência: contribuição para construção do império em 1823. Clio – Revista de Pesquisa Histórica, v. 33, n. 2, p. 29-48, maio, 2015.
ARQUIVO PÚBLICO DO PIAUÍ. Caixa referente à Inspetoria de Higiene Pública do Piauí da década de 1880. Teresina, s.d.
BARROS, José D’Assunção. Cidade e história. São Paulo: Câmara Brasileira do Livro, 2007.
Carregamento de emigrantes. A ÉPOCA: Orgão Conservador (PI), Teresina, ed. 62, 1878.
Carregamento de emigrantes. A ÉPOCA: Orgão Conservador (PI), Teresina, ed. 21, 1878.
CASTRO, Nasi. Amarante: um pouco da história e da vida da cidade. Teresina: Projeto Petrônio Portella, 1986.
CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: 1. Artes de fazer. Tradução de Ephraim Ferreira Alves. Petrópolis: Vozes, 1994.
CHALHOUB, Sidney. Cidade febril: cortiços e epidemias na Corte Imperial. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
COSTA, Jurandir. Ordem médica e norma familiar. Rio de Janeiro: Graal, 2004.
DEMES, Josefina. Floriano: sua história, sua gente. Teresina: Gráfica Halley, 2002.
FOUCAULT, Michel. História da sexualidade, In: A vontade de saber. Tradução de Maria Thereza da Costa Albuquerque e J. A. Guilhon Albuquerque. 13. ed. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1999. p. 132.
FOUCAULT, Michel. O nascimento da medicina social. In: FOUCAULT, Michel. Microfísica do poder. Rio de Janeiro: Graal, 1979. p. 80.
GONÇALVES, Kércia Andressa Vitoriano. Degredados da seca: políticas intervencionistas em Teresina (1877–1879). 2022. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2022. p. 28.
Hemeroteca Digital-BNDigital. A Varíola em Amarante, A OPINIÃO CONSERVADORA. Teresina, ed. 89, p. 1, 1875.
Manoel José Vieira ao sr. dr. Julio Cezar Andreini. A IMPRENSA: Periódico Político (PI), Teresina, ed. 945, 1886.
MARINHO, Joseanne Zingleara Soares. A interiorização da saúde no Piauí: Parnaíba entre o fim do século XIX e meados do século XX. Revista NUPEM, Campo Mourão, v. 13, n. 29, p. 175-191, maio/ago. 2021.
MARINHO, Joseanne Zingleara Soares. Manter sadia a criança sã: as políticas públicas de saúde materno-infantil no Piauí de 1930 a 1945. 2017. Tese (Doutorado em História) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2017.
NERY, Ana Karoline de Freitas. Políticas públicas e saúde, doenças e medicamentos em Teresina durante as décadas de 1930 e 1940. 2021. 228 p. Dissertação (Mestrado em História do Brasil) – Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2021. p. 93.
OSÓRIO, Rakell; MARINHO, Joseanne Zingleara Soares. A atuação das comissões de socorro na assistência aos doentes da Colônia São Pedro de Alcântara-PI (1875-1885). Revista de Estudos de Cultura, São Cristóvão, v. 10, n. 24, p. 1-18, 2024.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. O imaginário da cidade: visões literárias do urbano. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2002. p. 170.
PIMENTA, Tânia Salgado. Artes de curar: um estudo a partir dos documentos da Fisicatura-Mor no Brasil do começo do século XIX. 1997. 153 p. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1997.
PIMENTA, Tânia Salgado. Curandeiro, parteira e sangrador: ofícios de cura no início do oitocentos na corte imperial. Khronos – Revista de História da Ciência, n. 6, 2018.
Preservativo contra as febres intermittentes. O Propagador, Theresina, anno I, n. 41, p. 2, 18 de outubro de 1858.
REIS, João José. A morte é uma festa: ritos fúnebres e revolta popular no Brasil do século XIX. São Paulo: Companhia das Letras, 1991.
Relatório dos Presidentes dos Estados Brasileiros (PI) - 1890 a 1930. ed.01- ano:1890.
SANTOS, Danielle Filgueiras. Para além do “lisonjeiro estado sanitário”: a atuação do governo provincial no combate às epidemias e endemias em Teresina. 2025. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal do Piauí, Teresina, 2025.
SCHORSKE, Carl E. Fin-de-Siècle Vienna: politics and culture. New York: Alfred A. Knopf, 1980.
SEVCENKO, Nicolau. A revolta da vacina: mentes insanas em corpos rebeldes. In: SEVCENKO, Nicolau. A correria do século: o nascimento do tempo e do espaço urbanos no Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.
SILVA, Mairton Celestino da. Batuque na rua dos negros: cultura e política na Teresina da segunda metade do século XIX. 2008. Dissertação (Mestrado em História Social) – Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2008.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Autores que publicam nesta revista concordam com os seguintes termos:
- Autores mantêm os direitos autorais e concedem à revista o direito de primeira publicação, com o trabalho simultaneamente licenciado sob a Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional – CC-BY que permitindo o compartilhamento do trabalho com reconhecimento da autoria do trabalho e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm autorização para assumir contratos adicionais separadamente, para distribuição não-exclusiva da versão do trabalho publicada nesta revista (ex.: publicar em repositório institucional ou como capítulo de livro), com reconhecimento de autoria e publicação inicial nesta revista.
- Autores têm permissão e são estimulados a publicar e distribuir seu trabalho online (ex.: em repositórios institucionais ou na sua página pessoal), a qualquer ponto antes ou durante o processo editorial, já que isso pode gerar alterações produtivas, bem como aumentar o impacto e a citação do trabalho publicado, de acordo ainda com a democratização científica prevista pela Ciência Aberta.