A narrativa no autismo: um ato enunciativo de constituição do sujeito pela escrita
DOI:
https://doi.org/10.5335/eyh54r70Palavras-chave:
Autismo, Texto narrativo, Escrita, EnunciaçãoResumo
A relação entre narrativa e enunciação na produção textual de adolescentes diagnosticados com autismo constitui o foco deste artigo. Apresentamos o texto narrativo como espaço de dizer do estudante e sobre o estudante autista, a partir da análise de três redações produzidas cada uma por três estudantes do ensino fundamental II, matriculados na rede pública de um município da região metropolitana do Recife, Pernambuco. Os dados foram coletados durante atividade de rotina no contexto escolar, seguindo às orientações do professor e atendendo ao tema “Um encontro com seu personagem favorito”. Concentramos a análise na perspectiva enunciativa benvenistiana, buscando o encadeamento entre linguagem e subjetividade que marcaram o movimento singular das produções escritas. Os resultados evidenciaram que, apesar das dificuldades frequentemente associadas à oralidade e à escrita no autismo, a enunciação escrita foi caracterizada por organização narrativa com estrutura coerente, apresentando marcas de tempo, espaço e subjetividade; presença de aspectos da cultura adolescente e de erros gramaticais e ortográficos comuns ao processo de escrita. O exercício da narrativa possibilitou reconhecer o espaço enunciativo e de autoria dos adolescentes autistas, mobilizando experiências pessoais e referências culturais, que ultrapassaram a dimensão técnica e se configuraram como um instrumento de construção subjetiva, revelando modos próprios de significar e de inserção no universo linguístico.
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