A enunciação da criança autista por uma perspectiva multimodal
DOI:
https://doi.org/10.5335/0qftqd49Palavras-chave:
Autista. Criança. Enunciação. MultimodalidadeResumo
Este trabalho objetiva analisar aspectos multimodais da enunciação de uma criança com Transtorno do Espectro Autista - TEA. Para isso, iremos nos apoiar na reflexão de Benveniste (1988 e 1989), que toma a referência como parte integrante da enunciação, nos estudos de Kendon (1982 e 2009) e McNeill (1985 e 2006) a respeito da multimodalidade na aquisição da linguagem e na pesquisa desenvolvida por Ferreira Júnior (2014), que aponta alguns princípios para abordagem da presença da criança e marcação dos lugares de pessoa na/pela enunciação. O corpus da pesquisa encontra-se no banco de dados do grupo interinstitucional “Nalíngua” (http://gruponalingua.com.br/documentario.html) e é constituído por dados de interação entre um menino autista com idade entre 4 e 6 anos e seus avós em situações naturalísticas de interação. Nesse sentido, a pesquisa possui natureza qualitativo-interpretativa, em outros termos, buscaremos compreender os fragmentos apresentados a partir de aspectos enunciativos, discutindo elementos implicados nas condutas linguageiras da criança autista. Observou-se que a abundância de gestos e as escassez de fala da criança com TEA do estudo requer uma problematização do funcionamento da linguagem no transtorno do espectro autístico, pois implica um outro modo de construção de sentidos e referência e leva à necessidade de uma abordagem capaz de comportar a singularização da criança autista na enunciação por meio de gestos utilizados na relação com o parceiro discursivo.
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