(Dis)fluências e produção gestual durante ajustes na construção da narrativa entre sujeitos com afasia não fluente
DOI:
https://doi.org/10.5335/eremn197Palavras-chave:
Multimodalidade, Narração, Gestos, Afasia, DisfluênciasResumo
Indivíduos com afasia não fluente mobilizam diversos recursos e estratégias não verbais a fim de melhorar a inteligibilidade de seu discurso. Essas estratégias são observadas tanto na interação com parceiros conversacionais sem afasia (PSA), quanto em trocas entre pares, especialmente em momentos de (dis)fluências que se manifestam no nível multimodal. Observou-se certa lacuna na literatura no que diz respeito à contribuição dos pares para a restauração da fluência desses locutores. Este estudo se propôs a investigar o papel dos gestos durante episódios de (dis)fluência na fala de sujeitos afásicos em interação entre pares, com o objetivo de melhor compreender como esses recursos gestuais participam da organização da produção verbal, da progressão narrativa e da coordenação interacional em momentos de ruptura da fluência. Cinco participantes com afasia não fluente foram registrados em situação coletiva, durante uma atividade de narração orientada por cartas temáticas. Nossa análise, realizada com o software ELAN, concentra-se nos tipos de gestos referenciais e pragmáticos, segundo a tipologia de Kendon (2004) e McNeill (1992), bem como nas (dis)fluências patológicas multimodais (repetições de segmentos, prolongamentos, palavras interrompidas e bloqueios). As produções gestuais associadas às (dis)fluências parecem contribuir para a busca lexical, para as reformulações do falante e para a manutenção da continuidade narrativa, ao mesmo tempo em que sinalizam a dificuldade comunicativa aos parceiros da interação e favorecem sua participação na co-construção do discurso. Assim, no que diz respeito aos tipos de gestos produzidos, observam-se mais gestos icônicos e metafóricos durante as buscas lexicais, e mais gestos ritmados durante as reformulações de conteúdo. Os resultados obtidos reforçam a ideia de um efeito facilitador dos gestos no discurso afásico, além de oferecer pistas para práticas em reabilitação fonoaudiológica, bem como em oficinas e grupos de acolhimento destinados a pessoas com afasia.
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