Produção e modelos de atenção em saúde bucal na APS em contextos de crise: um estudo em Pelotas (RS)
DOI:
https://doi.org/10.5335/rfo.v31i1.18193Palavras-chave:
Atenção Primária à Saúde, Avaliação de Serviços de Saúde, Pandemia Covid-19Resumo
Objetivo: analisar a variação temporal dos procedimentos odontológicos realizados nas Unidades Básicas de Saúde de Pelotas (RS) entre 2019 e 2024, considerando os efeitos da pandemia de COVID-19 e da emergência climática de 2024. Métodos: estudo ecológico, quantitativo e descritivo, com dados secundários do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB); foram avaliados procedimentos preventivos, restauradores, periodontais e cirúrgicos, além do número de cirurgiões-dentistas e da produtividade, por meio de análises descritivas de frequências, médias e proporções. Resultados: observou-se redução acentuada na produção odontológica em 2020 e 2021, com queda de aproximadamente 82% no total de procedimentos em 2020 em relação a 2019, além de diminuição da produtividade por profissional; a partir de 2022 houve retomada progressiva, porém sem alcançar os níveis pré-pandêmicos, seguida por nova redução em 2024. Verificou-se ainda mudança na composição dos procedimentos, com aumento relativo das ações preventivas coletivas e redução dos procedimentos restauradores, além de inconsistências em registros de dados. Conclusão: a atenção primária em saúde bucal mostrou-se sensível a eventos adversos, com dificuldades em sustentar a continuidade do cuidado e consolidar um modelo integral, evidenciando a necessidade de fortalecer a resiliência dos serviços, qualificar os sistemas de informação e aprimorar a organização da força de trabalho.
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