Um golpe militar nos estertores do Estado Novo
ensaio de crítica historiográfica
DOI:
https://doi.org/10.5335/vjnpp535Palavras-chave:
Estado Novo, Golpes militares, RedemocratizaçãoResumo
O artigo reavalia criticamente as interpretações sobre o golpe militar de 29 de outubro de 1945, que depôs Getúlio Vargas quando já havia eleições marcadas e um processo de transição em curso. Sustenta-se que a explicação tradicional, que vincula o fim do Estado Novo à derrota dos regimes nazifascistas na Segunda Guerra Mundial, é reducionista e limitada no recurso à documentação primária. Busca-se demonstrar que o golpe resultou da convergência entre: a crise de autoridade do alto comando militar; o receio oligárquico ante a política de massas agitada pelo queremismo e a reorganização do trabalhismo em contexto de transição; a anistia e a legalização do PCB; e a influência regional das mobilizações peronistas na Argentina.
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