“Sem Getúlio Vargas não haveria ...”
memória de Vargas e usos políticos do Estado Novo entre os trabalhistas fluminenses no período democrático
DOI:
https://doi.org/10.5335/c7rhpz67Palavras-chave:
Estado Novo, Experiência Democrática (1945-1964), TrabalhismoResumo
Encerrado em 1945, o Estado Novo forneceu importantes elementos para as reflexões sobre o Brasil republicano e seus traços autoritários. No cerne dessas interpretações é possível identificar uma ênfase na política trabalhista desenvolvida pelo regime e na sua relação com os trabalhadores urbanos. Formulado durante a ditadura, esse projeto obteve relativo sucesso firmando-se como partido político em 1945, com a criação do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Nos primeiros anos da democracia os políticos do PTB viram-se comprometidos com a defesa do Estado Novo, de suas práticas e de seu legado. Considerando isso, o presente artigo analisa as formas pelas quais deputados trabalhistas do estado do Rio de Janeiro formularam interpretações sobre o período autoritário. Envolvidos em disputas com partidos e políticos antigetulistas, os deputados do PTB foram compelidos a defender Getúlio e a ditadura, produzindo perspectivas peculiares sobre a democracia, os direitos sociais, o desenvolvimento econômico e a participação popular no país.
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