Representações da imigrante brasileira em Portugal: intersecção entre raça, gênero e língua
DOI:
https://doi.org/10.5335/rdes.v22i1.16425Palavras-chave:
Mulher brasileira, Português brasileiro, Raça, Gênero, LínguaResumo
Este trabalho tem como objetivo analisar discursivamente as representações de imigrantes brasileiras em Portugal e o modo como elas fazem uso de sua língua materna. Estudos sobre o estereótipo da mulher brasileira em Portugal evidenciam um processo de racialização, sexualização e exotização que levam à visão de “corpo colonial” (Gomes, 2013; 2018). Além disso, historicamente, o português brasileiro tem sido comparado com o português europeu, e essa comparação tem sido pautada nos parâmetros do “bom” e “mau” português, em que prevalece a estigmatização da língua brasileira (Toledo, 2020). Assim, a partir do método arquegenealógico proposto por Michel Foucault (2020; 2014), buscamos investigar nos enunciados selecionados as regularidades enunciativas nas continuidades e descontinuidades históricas que apontam sentidos eufóricos e/ou disfóricos atribuídos àquilo que se define por mulher brasileira e por português brasileiro em depoimentos de imigrantes brasileiras na internet. Como resultados, encontramos regularidades enunciativas que indicam a permanência de dizeres que estigmatizam tanto o português brasileiro quanto a concepção mulher brasileira, atrelados a um imaginário colonial que intersecta raça, gênero e língua. Nesse viés, a mestiçagem torna-se ponto central dos discursos: ao mesmo tempo que é considerada uma degeneração do povo brasileiro, impondo à mulher brasileira a construção de “corpo colonial” e sexualmente disponível, também se entrelaça à concepção sobre o português brasileiro que, por decorrer da mistura entre as línguas portuguesa, indígenas e africanas, é associado à incorreção e à impureza.
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