Perfil sociodemográfico e autopercepção em saúde bucal de cuidadores de indivíduos com deficiência intelectual
DOI:
https://doi.org/10.5335/rfo.v24i2.10441Palavras-chave:
Cuidadores, Deficiência intelectual, Saúde bucalResumo
Objetivos: analisar o perfil sociodemográfico e avaliar a autopercepção em saúde bucal de cuidadores de indivíduos com deficiência intelectual. Métodos: foram entrevistados 103 cuidadores em instituições de apoio a pessoas com deficiência intelectual da Região Metropolitana de Porto Alegre (RS) para se avaliar as variáveis estudadas. Resultados: a maior parte era composta por mulheres (93%) e mães (79%), a idade média foi de 47 anos ± 14.39 (DP) e grande parte possuía baixa escolaridade (51%). Quanto à renda familiar, o próprio cuidador era o provedor majoritário (40%), com renda total de até 2 salários mínimos (65%). Em relação à percepção de sua saúde bucal, 35% responderam que estavam insatisfeitos com seus dentes, e 84% dos cuidadores tiveram alguma dificuldade relacionada aos seus dentes nos últimos 6 meses. Dos entrevistados, 45% relataram não ter procurado atendimento odontológico por dificuldades financeiras. A maioria (45%) relatou ter procurado o dentista para tratamentos invasivos. Relacionando-se com a saúde do indivíduo cuidado, 75% dos entrevistados afirmaram que a saúde daqueles é mais importante do que a sua. Dentre os participantes da pesquisa, 47% acreditam que ser cuidador acarreta deixar a sua própria saúde em segundo plano. Conclusão: a maioria dos cuidadores de indivíduos com deficiência intelectual entrevistados no estudo era de mães cuidadoras em tempo integral, com poucos recursos financeiros e com baixa escolaridade. Muitas percebiam a necessidade de tratamento odontológico, entretanto, priorizavam o indivíduo sob cuidados em detrimento da sua saúde bucal.
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