Tabus e mitos da atenção odontológica na gestação: um estudo observacional de base hospitalar
DOI:
https://doi.org/10.5335/rfo.v26i1.12411Palavras-chave:
gestantes, saúde materno-infantil, saúde bucal, assistência odontológicaResumo
Objetivo: avaliar gestantes internadas no setor de obstetrícia do Hospital Escola da UFPel quanto à necessidade de receber atendimento odontológico de urgência, ao conhecimento a respeito do atendimento durante a
gravidez e de como prevenir a doença cárie dentária em seus filhos. Método: este estudo observacional, de
base hospitalar e transversal, foi conduzido a partir de instrumento contendo uma entrevista e uma avaliação
bucal de 83 gestantes. Os dados foram coletados junto ao leito por dois residentes treinados e avaliados pelo
Teste Exato de Fisher e por análise multivariada, com Regressão de Poisson e variância robusta. Resultados: a
média de idade das gestantes foi de 28,7 anos, sendo que 31,3% relataram dor dentária, estando relacionada
à atividade de cárie e à busca de atendimento odontológico nos últimos 6 meses. Das gestantes avaliadas,
66,2% apresentaram, pelo menos, um tabu ou mito, sendo que realizar tratamento endodôntico foi o mais
prevalente. Realizar pré-natal reduziu a presença de tabus ou mitos. Apenas 7,2% das mulheres demonstraram ter conhecimento de como prevenir a doença cárie dentária no filho, sendo significativamente maior nas
donas de casa e nas que receberam orientação prévia. Conclusão: o pré-natal favoreceu a redução da presença de tabus e mitos da odontologia na gestação. O cirurgião-dentista tem um papel importante na condução
do pré-natal odontológico, para evitar e tratar as odontalgias na gestação e orientar sobre a saúde bucal dos
filhos, efetivando a atenção odontológica nos mil dias da criança.
Palavras-chave: gestantes; saúde materno-infantil; assistência odontológica.
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