Um continuum no projeto político-pedagógico do autocratismo brasileiro, do Estado Novo à ditadura de 1964
o juspedagogo Humberto Grande e a (des)educação do trabalho via nacionalismo e (i)moralismo cívico-militar
DOI :
https://doi.org/10.5335/hdtv.25n.3.17771Mots-clés :
Estado Novo, Ditadura Militar de 1964, Humberto GrandeRésumé
Este artigo reconstitui o perfil ideológico e a trajetória histórica de Humberto Grande, jurista-pedagogo que atuou nas duas principais ditaduras do Brasil republicano: o Estado Novo (1937–1945) e o regime militar de 1964. A partir da análise de sua obra A pedagogia no Estado Novo, de seus artigos no Instituto Nacional de Ciência Política (1941-1944) e de sua atuação como formulador da Educação Moral e Cívica pós-1964, demonstra-se a permanência de um projeto político-pedagógico autocrático a serviço da modernização conservadora brasileira. Evidencia-se, como sua “pedagogia do trabalho”, ao exaltar o trabalho em abstrato – “espiritualizado” como “arte” e “técnica” à “grandeza nacional”, com o sindicato como “escola democrática” para eliminar a luta de classes – visa à subordinação da classe trabalhadora ao nexo Estado-capital. A (des)educação da classe trabalhadora dar-se-ia, assim, pelo culto nacionalista à pátria – daí seu (i)moralismo cívico-militar do soldado-operário-cidadão –, considerando que ‘o operário sem patriotismo é um elemento pernicioso na sociedade’, e por meio do pietismo no trabalho como “meditação, oração e contemplação”, condição pela qual “o trabalho faz o homem livre em vez de escravizá-lo”. Metodologicamente, articulam-se fontes primárias e bibliografia especializada.
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