O discurso “coach” e seu potencial político: um olhar enunciativo-discursivo para a candidatura de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.5335/rdes.v21i3.17107Palavras-chave:
Ethos, Estereótipo, Discurso político, Coaching, AntipolíticaResumo
Os últimos anos trouxeram mudanças importantes na forma como o discurso político é absorvido, incorporado e reproduzido pelas massas: o espírito que anima as pretensões das classes média e baixa parece ser, hoje, muito diferente daquele do período anterior à democratização da internet: o culto à personalidade do homem “self-made” substitui as aspirações eliciadas pelas conquistas trabalhistas do século XX. O tema se justifica porque os processos eletivos recentes, sobretudo a última eleição para a prefeitura de São Paulo (2024), demonstram que esse tipo de discurso, afeito às dinâmicas do empreendedorismo “coach” aliado a contornos religiosos, vem se mostrando capaz de fazer números relevantes nas urnas; esse cenário faz convir uma perspectiva enunciativo-discursiva de análise. Nosso objetivo eÌ analisar a encenação do ethos discursivo e os estereótipos ativados pelo discurso político do então candidato Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo no ano de 2024. Como marco teórico, tomamos por base a teoria enunciativo-discursiva de Dominique Maingueneau (2018, 2020a, 2020b), sobretudo quanto a cenas de enunciação e à noção de ethos em interface com a estereotipia, de acordo com Amossy e Pierrot (2022), aliada à ideia de pré-discurso em Paveau (2017); recorremos ainda aos preceitos de Barr (2009) sobre o fenômeno do populismo “anti-establishment” que tende a favorecer os políticos “outsiders” (“forasteiros”). A pesquisa é de natureza aplicada, exploratória, bibliográfica e documental com abordagem qualitativa por meio de enunciações do candidato Pablo Marçal durante sua campanha à prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024, bem como de peças publicitárias e outros textos coletados em suas redes sociais. O que se conclui é que o ethos discursivo mobilizado por Marçal ativa o estereótipo do candidato “outsider”, antipolítica, que se oporia ao modus operandi dos chamados “políticos tradicionais” e, por consequência, traria consigo as mudanças ansiadas pelo povo.
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