Conhecimento e confiança na prescrição de medicamentos anti-inflamatórios entre estudantes de Odontologia: uma análise transversal
DOI:
https://doi.org/10.5335/rfo.v30i1.16587Palavras-chave:
Anti-inflamatórios, Estudantes de odontologia, FarmacoterapiaResumo
Objetivo: Avaliar o conhecimento dos estudantes de Odontologia da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) sobre farmacoterapia dos anti-inflamatórios, abordando farmacodinâmica, classes farmacológicas, reações adversas e indicações clínicas, além de explorar percepções sobre ensino-aprendizagem na área. Materiais e métodos: Um questionário autoadministrado online, contendo 11 questões de múltipla escolha e 01 questão aberta, foi aplicado a 180 estudantes. Os participantes foram agrupados em semestres intermediários (SI; 5º ao 7º) e finais (SF; 8º ao 10º). Os dados foram analisados utilizando testes estatísticos descritivos e inferenciais, em nível de significância de 5%. Resultados: Responderam ao questionário 46,1% dos estudantes elegíveis. A média geral de acertos foi de 5,76 em 10 questões, sem diferenças entre os grupos SI (5,85) e SF (5,68; p = 0,237). Diferenças significativas foram observadas nas abordagens terapêuticas em patologias orais: para úlcera aftosa recorrente, os SF apresentaram desempenho superior (p = 0,033; OR = 3,2), enquanto para líquen plano erosivo, os SI tiveram melhores resultados (p = 0,029; OR = 2,7). Além disto, houveram predominância de respostas incorretas relacionado aos efeitos adversos dos anti-inflamatórios, com desempenhos semelhantes entre os grupos SI e SF (p>0,05). Na autopercepção, 49% dos SI classificaram seu conhecimento como “insuficiente”, enquanto 60% dos SF consideraram “suficiente”. Conclusão: Embora os estudantes tenham demonstrado conhecimento geral mediano sobre anti-inflamatórios, as lacunas nas questões práticas e avançadas, especialmente relacionadas às reações adversas e ao manejo de pacientes com comorbidades, reforçam a necessidade de integrar mais efetivamente os conteúdos teóricos e práticos no ensino de farmacoterapia.
Palavras-chave: Anti-inflamatórios; Estudantes de odontologia; Farmacoterapia.
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