Os “semitas” de Xangai

análise dos pedidos de visto e o uso do “Direito da Extraterritorialidade” na China por refugiados judeus durante o Estado Novo (1937-1945)

Autores

  • Anna Maria Litwak Neves Universidade Federal de Pernambuco, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.5335/srph.v24i2.17824

Palavras-chave:

China , Estado Novo, Judeus

Resumo

Durante os anos 1930 e 1940, a perseguição aos judeus encontrou seu ápice na Europa. Enquanto a maior parte dos países, incluindo o Brasil, restringiu ou fechou completamente as portas para os refugiados israelitas, a cidade de Xangai, na China, foi um dos poucos destinos que não impôs restrições aos que chegaram, como demonstrou Ross (1994) e Meyer (1994). Assim, centenas de pessoas partiram para a China, porém se depararam com um ambiente difícil que exigia estratégias de adaptação diversas, ainda que sua estadia lá fosse, muitas vezes, temporária. Nesse ínterim, o consulado brasileiro de Xangai registrou diversos pedidos de visto e passaporte, seja pelos judeus que queriam migrar para o Brasil, seja pelos que queriam permanecer em Xangai gozando de uma prerrogativa legal concedida aos estrangeiros: o “Direito da Extraterritorialidade”. Esse artigo busca analisar os pedidos de visto e passaporte realizados por este grupo particular de judeus, levando-se em consideração o impacto das medidas restritivas do Estado Novo no processamento dessas solicitações.

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Biografia do Autor

  • Anna Maria Litwak Neves, Universidade Federal de Pernambuco, Brasil

    ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9996-7451

    Doutoranda em História pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mestre (2019) e graduada (2011) em História pela mesma instituição. 

Referências

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Publicado

2026-01-21

Como Citar

Os “semitas” de Xangai: análise dos pedidos de visto e o uso do “Direito da Extraterritorialidade” na China por refugiados judeus durante o Estado Novo (1937-1945). (2026). Semina - Revista Dos Pós-Graduandos Em História Da UPF, 24(2), e-2025023. https://doi.org/10.5335/srph.v24i2.17824