Revisitando o “Estado Novo”

samba, trabalho e vozes dissonantes

Autores

  • Adalberto de Paula Paranhos Universidade Federal de Uberlândia, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.5335/zn8d1173

Palavras-chave:

Estado Novo, Mundo do trabalho, Música popular

Resumo

Quando o assunto é o “Estado Novo” e envolve o mundo do trabalho, a tradição historiográfica se pauta, em geral, pelo que Mikhail Bakhtin denominou “hábitos monológicos”. Tudo parece se passar como se fosse possível apagar os sinais que nos levariam a captar vozes destoantes do grande coro da suposta unanimidade nacional orquestrada pelo regime. Perde-se de vista que, mesmo sob uma férrea ditadura, os domínios da vida político-social sempre operam como campos de forças, segundo Pierre Bourdieu e E. P. Thompson. A partir dessa ótica, este artigo se propõe a contribuir para renovar o olhar e adensar o conhecimento em torno do “Estado Novo”, tomando como mote vozes dissonantes que se fizeram ouvir sobre o universo do trabalho na área da música popular, especialmente do samba.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Biografia do Autor

  • Adalberto de Paula Paranhos, Universidade Federal de Uberlândia, Brasil

    ORCID: https://orcid.org/0000-0003-2376-4997

     

    Doutor (2005) em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Mestre (1997) em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Professor titular da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), na qual integra o corpo permanente do Programa de Pós-graduação em História. Bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq. E-mail: akparanhos@uol.com.br       

Referências

Fontes discográficas

“Abre a porta” (Raul Marques e César Brasil), Linda Batista. 78 rpm, Odeon, 1940.

“Acabou a sopa” (Geraldo Pereira e Augusto Garcez), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1940.

“Acertei no milhar” (Wilson Batista e Geraldo Pereira), Moreira da Silva. 78 rpm, Odeon, 1940.

“Aquarela do Brasil” (Ary Barroso), Francisco Alves. 78 rpm, Odeon, 1939.

“Batata frita” (Ciro de Souza e Augusto Garcez), Aurora Miranda. 78 rpm, RCA Victor, 1940.

“Brasil!” (Benedito Lacerda e Aldo Cabral), Francisco Alves e Dalva de Oliveira. 78 rpm, Columbia, 1939.

“Brasil, usina do mundo” (João de Barro e Alcir Pires Vermelho), Déo. 78 rpm, Columbia, 1942.

“Dinheiro não é semente” (Mutt e Felisberto Martins), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1941.

“Dormi no molhado” (Moreira da Silva), Moreira da Silva. 78 rpm, Odeon, 1942.

“É do balacobaco” (Ary Barroso), Silvio Caldas. 78 rpm, RCA Victor, 1931.

“Eu gosto da minha terra” (Randoval Montenegro), Carmen Miranda. 78 rpm, RCA Victor, 1930.

“Eu sou do barulho” (Joubert de Carvalho), Carmen Miranda. 78 rpm, RCA Victor, 1931.

“Faz um homem enlouquecer” (Wilson Batista e Ataulfo Alves), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1942.

“Feitio de oração” (Vadico e Noel Rosa), Francisco Alves e Castro Barbosa. 78 rpm, Odeon, 1933.

“Fez bobagem” (Assis Valente), Aracy de Almeida. 78 rpm, RCA Victor, 1942.

“Inimigo do batente” (Wilson Batista e Germano Augusto), Dircinha Batista. 78 rpm, Odeon, 1940.

“Já que está deixa ficar” (Assis Valente), Anjos do Inferno. 78 rpm Columbia, 1941.

“Juracy” (Antonio Almeida e Ciro de Souza), Vassourinha. 78 rpm, Columbia, 1941.

“Levanta, José” (Dunga e Haroldo Lobo), Emilinha Borba. 78 rpm, Odeon, 1941.

“Louca pela boemia” (Bide e Marçal), Gilberto Alves. 78 rpm, Odeon, 1941.

“Me dá, me dá” (Portelo Juno e Cícero Nunes), Carmen Miranda. 78 rpm, Odeon, 1937.

“Não admito” (Ciro de Souza e Augusto Garcez), Aurora Miranda. 78 rpm, RCA Victor, 1940.

“Meu Brasil” (Pedro de Sá Pereira e Olegário Mariano), Vicente Celestino. 78 rpm, Columbia 1932.

“Não faltava mais nada” (Fernando Lobo), Gilberto Alves. 78 rpm, Odeon, 1941.

“Não quero conselho” (Príncipe Pretinho e Constantino Silva), Carmen Costa e Henricão. 78 rpm, Columbia, 1940.

“Não quero opinião de mulher” (Newton Teixeira e Ataulfo Alves), Newton Teixeira. 78 rpm, Odeon, 1942.

“O amor regenera o malandro” (Sebastião Figueiredo), Joel e Gaúcho. 78 rpm, Columbia, 1940.

“Ó, Valdemar” (Ari Monteiro e J. Assunção”, Linda Batista. 78 rpm, RCA Victor, 1943.

“Oh! Seu Oscar” (Wilson Batista e Ataulfo Alves), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1939.

“Olha o jeito desse nego” (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy), Linda Batista. 78 rpm, RCA Victor, 1944.

“Onde o céu azul é mais azul” (João de Barro, Alberto Ribeiro e Alcir Pires Vermelho), Francisco Alves. 78 rpm, Columbia, 1940.

“Pretinho” (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy), Isaura Garcia. 78 rpm, RCA Victor, 1944.

“Quem gostar de mim” (Dunga), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1940.

“Samba lelê, samba lalá” (Dunga e Nássara), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1944.

“Sambei 24 horas” (Wilson Batista e Haroldo Lobo), Aracy de Almeida. 78 rpm, Odeon, 1944.

“Se eu tivesse um milhão” (Roberto Martins e Roberto Roberti), Dircinha Batista. 78 rpm, Odeon, 1940.

“Segure no meu braço” (Capiba), Nelson Gonçalves. 78 rpm, RCA Victor, 1945.

“Será possível?” (Rubens Campos e Henricão), Ciro Monteiro. 78 rpm, RCA Victor, 1941.

“Tenha pena de mim” (Babaú e Ciro de Souza), Aracy de Almeida. 78 rpm, RCA Victor, 1937.

“Terra virgem” (Vicente Celestino e Mário Rossi), Vicente Celestino. 78 rpm, RCA Victor, 1942.

“Tudo é Brasil” (Vicente Paiva e Sá Roris), Linda Batista. 78 rpm, RCA Victor, 1941.

“Vamos cair no frevo” (Marambá), Carlos Galhardo. 78 rpm, RCA Victor, 1943.

“Vitaminas” (Amaro Silva, Djalma Mafra e Domício Augusto), Odete Amaral. 78 rpm, Odeon, 1942.

“Você não tem palavra” (Newton Teixeira e Ataulfo Alves), Newton Teixeira. 78 rpm, Odeon, 1940.

Referências bibliográficas

BAKHTIN, Mikhail. Problemas da poética de Dostoievski. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: Forense-Universitária, 1981.

BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. 5. ed. Trad. Fernando Tomaz. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002.

BURKE, Peter. Cultura popular na Idade Moderna: Europa, 1500-1800. Trad. Denise Bottmann. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

CASTELO, Martins. Rádio XIII. Cultura Política, ano II, n. 13, 1942, p. 292-294.

CAULFIELD, Sueann. Em defesa da honra: moralidade, modernidade e nação no Rio de Janeiro (1918-1940). Trad. Elizabeth de Avelar Solano Martins. Campinas: Editora da Unicamp, 2000.

CHAUI, Marilena. Apontamentos para uma crítica da Ação Integralista Brasileira. In: CHAUI, Marilena; FRANCO, Maria Sylvia Carvalho. Ideologia e mobilização popular. Rio de Janeiro: Paz e Terra/Cedec, 1978. p. 17-149.

DEAN, Warren. A industrialização de São Paulo. Trad. Octavio Mendes Cajado. São Paulo: Difusão Europeia do Livro/ Editora da Universidade de S. Paulo, 1971.

ENGELS, Friedrich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. Trad.: Leandro Konder. Rio de Janeiro: Vitória, 1960.

GARCIA, Nelson Jahr. Estado Novo: ideologia e propaganda política (a legitimação do Estado Autoritário perante as classes subalternas). São Paulo: Loyola, 1982.

GOMES, Angela de Castro. A invenção do trabalhismo. Rio de Janeiro: Iuperj; São Paulo: Vértice, 1988.

HOBSBAWM, Eric. A história de baixo para cima. In: HOBSBAWM, Eric. Sobre História: ensaios. Trad. Cid Knipel Moreira. São Paulo: Companhia das Letras, 1998. p. 216-231.

MARCONDES FILHO, Alexandre. Trabalhadores do Brasil! Rio de Janeiro: Revista Judiciária, 1943.

MARCONDES FILHO, Alexandre. Falando aos trabalhadores brasileiros. Boletim do Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, Rio de Janeiro, 1942-1945.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Trad. Ronald Polito e Sérgio Alcides. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2001.

MORAIS, José Geraldo Vinci de. História e música: canção popular e conhecimento histórico. Revista Brasileira de História, São Paulo, v. 20, n. 39, p. 203–221, 2000. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbh/a/XLhxY7yFHnTGVyXSywvpcDm/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 10 dez. 2025.

PARANHOS, Adalberto. A música popular e a dança dos sentidos: distintas faces do mesmo. ArtCultura, Uberlândia, n. 9, p. 22–31, 2004. Disponível em: https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/7467501.pdf. Acesso em: 12 dez. 2025.

PARANHOS, Adalberto. O roubo da fala: origens da ideologia do trabalhismo no Brasil. 2. ed. São Paulo: Boitempo, 2007.

PARANHOS, Adalberto. Os desafinados: sambas e bambas no “Estado Novo”. São Paulo: Intermeios/CNPq/Fapemig, 2015.

TOTA, Antonio Pedro. Samba da legitimidade. Dissertação (Mestrado em História) – FFLCH, USP. São Paulo, 1980.

PERROT, Michelle; Tradução: ROMERO, Mariza; Revisão técnica: AUN KHOURY, Yara. Mil maneiras de caçar. Projeto História : Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História, São Paulo, v. 17, 2012. Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/view/11109. Acesso em: 12 dez. 2025.

SANDRONI, Carlos. Feitiço decente: transformações do samba no Rio de Janeiro (1917-1933). Rio de Janeiro: Jorge Zahar/Editora UFRJ, 2001.

THOMPSON, Edward Palmer. Costumes em comum: estudos sobre a cultura popular tradicional. Trad. Rosaura Eichemberg. São Paulo: Companhia das Letras, 1998.

THOMPSON, Edward Palmer. A história vista de baixo. In: THOMPSON, Edward Palmer. As peculiaridades dos ingleses e outros artigos. Trad. Antonio Luigi Negro. Campinas: Editora da Unicamp, 2001. p. 185-201.

WILLIAMS, Raymond. Cultura e sociedade: 1780-1950. Trad. Leônidas H. B. Hegenberg, Octanny Silveira da Mota e Anísio Teixeira. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1969.

ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz: a “literatura” medieval. Trad. Amálio Rodrigues e Jerusa Pires Ferreira. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

Downloads

Publicado

2025-12-22

Como Citar

Revisitando o “Estado Novo”: samba, trabalho e vozes dissonantes. (2025). Semina - Revista Dos Pós-Graduandos Em História Da UPF, 24(2), e-2025014. https://doi.org/10.5335/zn8d1173