A primeira entre as mortais: efeitos de sentido produzidos nas Olimpíadas de Paris
DOI:
https://doi.org/10.5335/rdes.v22i1.16273Palavras-chave:
ginástica artística, jogos olímpicos, análise do discursoResumo
Na perspectiva da análise do discurso pecheutiana, este estudo objetiva problematizar os efeitos de sentido produzidos pelas formulações relacionadas à participação das ginastas Simone Biles e Rebeca Andrade, nas Olimpíadas de Paris, em 2024, veiculadas na mídia on-line do Portal UOL. Por mais que o sujeito-atleta Biles tenha sido posicionado em sua condição de vulnerabilidade na discussão sobre a saúde mental no esporte, as formulações produzidas nos jogos de Paris permitiram a circulação de um sentido sobre-humano acerca da atleta, o que faz ranger a estrutura discursiva que, outrora, a aproximava de todos os atletas, discursivizados como mortais. Acerca do sujeito-atleta Rebeca, as formulações produzidas, acompanhando o seu percurso vitorioso em Paris, permitiram a transição de uma discursivização que a comparava estrita e insistentemente à Biles para formulações que posicionam a brasileira como protagonista no cenário esportivo do Brasil. Assinalamos, com isso, que a mídia analisada permite, ao mesmo tempo, dois movimentos distintos: em primeiro lugar, o que retoma um já-dito, evocando sentidos já cristalizados, a despeito da ruptura indiciada com a inclusão da pauta da saúde mental; e, em segundo lugar, a impermanência dos discursos, o que permite ao sujeito-atleta Rebeca Andrade ser discursivizado em direção ao protagonismo.
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